"Têm riscas, mas não são um risco, bem pelo contrário. Que o diga a empresa Águas do Algarve, que está a usá-los para testar a qualidade da água
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| peixes-zebra adultos |
A concessionária do sistema de abastecimento de água ao Algarve está a testar a utilização de peixes-zebra como detectores de alterações à qualidade da água que é introduzida na rede, anunciou a Águas do Algarve.
A experiência está em curso desde Março, quando foi instalado um aquário, com cerca de 50 centímetros, na Estação de Tratamento de Águas de Alcantarilha (Silves).
Os sensores do sistema são os 17 pequenos peixes-zebra que habitam o aquário por onde passa a água que é introduzida na rede. O grupo de peixes tropicais é observado por feixes de luz instalados nas paredes de vidro do aquário.
"Qualquer alteração ao comportamento dos peixes é lida pelo sistema informático que determina a que tipo de ameaça corresponde, emitindo diferentes tipos de alerta, nomeadamente a presença de agentes tóxicos potencialmente nocivos para a saúde humana", explicou à Lusa Teresa Fernandes, porta-voz da Águas do Algarve.
O peixe-zebra, de nome científico "Danio rerio", é conhecido pelas suas capacidades regenerativas e resistência, características que o tornaram famoso não só para a aquariofilia, mas também para cientistas, que o estudam para procurar cura para o cancro ou mesmo para a cegueira.
É assim um peixe há muito estudado e por isso serviu de base ao protótipo "ToxProtect64", concebido por uma empresa alemã, agora instalado no Algarve. "Estes peixes foram testados em laboratório e conhece-se o padrão de comportamento, que é agora traduzido para um sinal que determina o tipo de alteração à qualidade da água", observou José Menaia, do LNEC.
A experiência decorre no âmbito de um projecto europeu de reavaliação e desenvolvimento das tecnologias de tratamento e monitorização da qualidade da água, denominado TechnEau.
A participação nacional é coordenada pelo LNEC, que convidou a empresa algarvia para a experiência por ser, segundo o responsável, "uma das mais avançadas do ponto de vista tecnológico e com maior abertura à inovação". A Águas do Algarve foi uma das primeiras na Europa a certificar a água que produz como produto alimentar, além de já contar com certificações de qualidade e segurança.
Os dados recolhidos em Portugal estão a ser enviados em directo, por GPRS, para a Alemanha, onde a equipa coordenadora do estudo europeu os compila para produzir um relatório final da experiência.
Teresa Fernandes admite o interesse da Águas do Algarve em vir a adoptar o sistema, após esta experiência de seis meses, e até já dispõe de uma equipa de investigadores da Universidade do Algarve a trabalhar no projecto.
"Se se confirmarem as vantagens e se o sistema nos permitir melhorar a segurança, com certeza que estamos interessados", referiu, explicando que o "ToxProtect64" é mais rápido que as análises laboratoriais na detecção de alterações.
Segundo José Menaia, o LNEC está, ainda no âmbito do projecto internacional, a coordenar experiências de demonstração na Empresa Pública de Águas de Lisboa (EPAL), tanto ao nível da simulação e controlo de estações de tratamento, como de distribuição, nomeadamente "sobre os processos que ocorrem dentro das condutas e que podem alterar a qualidade da água"."
in Observatório do Algarve

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